Sem efeitos: o que eu tenho pra te oferecer muda sob o teu olhar

terça-feira, 5 de maio de 2009

Barulho

Não gosto do silêncio
A vida nele se interrompe
É vago
Prefiro o preenchido

Desfaço as intenções pobres
Dos não convincentes
Delator eterno
Sem ternas desculpas

Ele não me serve pra ouvir a alma
Não preciso
Eu sei o que ela quer
Ela sabe o que quero

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Vazio preenchido

E então olhei-a fortemente por segundos na face e sorri uma mistura de confusão triste e conflito nervoso, analisando a beleza fria e a leveza nua de seus olhos, que morrem na carne de seus lábios crus, onde me perdi por tanto tempo antes de, por pouco, cair no vão da incerteza, lugar tão inóspito onde não há motivo nem memória. Em um vazio tão grande eu entrei e de um vazio maior eu me livrei, não sei por quê, voltando para um mundo que eu não construí, como quem foi jogado em um lugar onde nunca esteve, mas onde tudo é mais fácil e fútil do que antes, com os ensinamentos que ninguém me prestou. Assim portanto, aprendendo eu fui a não me perder aos poucos em minha mente, mas às vezes ainda sinto falta do vazio a me consumir.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Cronológico

E naturalmente acontece. O homem nasce. Cresce. Esquece. Padece. Perece. Desaparece. E o mundo ignora. Gira. E não importa qual vertente vai explicar. Enquanto existir, sempre girará. E o prepotente, fraco, extinguirá. E os sábios. Dizem saber. Sabem dizer. "Salvem o mundo!". E ele ri sozinho. "Salvem-se, homens!". Esse, mestre, sente. E sobrevive ao homem. Mas quando um pouco mais rápido girar. Pirar. Nenhum homem restará.

sábado, 29 de novembro de 2008

Pra não dizer que eu não falei


Na música eu me encontrei. Nela não há hierarquias, soberanos, da esquerda ou da direita. Ela nos faz todos iguais, como crianças brincando inocentes sob um céu azul e com muita esperança. Esperança que só a música me dá. Me faz querer arrancar sorrisos, fazer com que a terra suma e todos flutuemos, para que pensemos diferente, deixando em extinção toda essa gente mesquinha e medíocre. Música que arrepia em notas tortas, em melodias perfeitas, em leves acordes que parecem ser tocados por anjos, ou em canções fortes que me inquietam. Enfim, música. O combustível da minha alma. A alma do meu ser.

Biográfico

Eu sou aquele cara com um violão sem cordas,



sentado no meio do terreno baldio,




esperando a multidão chegar




para o seu grande show.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Tratos abstratos

A lua sorridente, entrou em prantos
Escondeu-se, inocente, em quentes mantos
Segundos fizeram do desejo, obsessão
Um sequer mantinha o pensamento são

Enquanto o vento petrificava sentimentos
De longe achou-se novos armamentos
O sol há de nascer nesse lugar
Fará crescer o muito pouco que restar

Desisti de tentar mostrar o que eu sabia
De testemunhas, um certo clã de andorinhas
A quem, como a lua, relatei minhas mazelas
Fazer ao abstrato aquilo que fazia às mais belas

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Pseudo

e o que faria?
se ao olhar pela janela
não houvesse horizonte
se seus gritos entoados
desaparecessem no nada
se o chão sumisse
e ao tentar voar
lembrasse ser um homem
de carne e prepotência
ao lembrar de suas fases
não conseguisse entender
nem a si mesmo
ao procurar bons amigos
descobrisse que não há nenhum
e se arrependido lembrasse
dos esquecidos e empoeirados
se passasse a se odiar
e perdesse seus princípios
mas acordasse de tudo isso
contemplasse suas idéias
e mudasse assim o mundo