Sentido faz. As carroças cheias costumam andar mais devagar e fazer menos barulho. Assim são esses seres animados que vagam pela terra.
Não grites para me convencer, não apontes para me convencer, não roles no chão para me convencer. Se eu achar que devo fazer, um olhar basta.
Sem efeitos: o que eu tenho pra te oferecer muda sob o teu olhar
sábado, 3 de outubro de 2009
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Ah...
Uma bomba que cai no colo
Leve, de pluma, quente
Respeito pelos detalhes
Inexistentes a olhos nus
Cheia de pós-escritas
É como um bilhete colado
Aquilo que vai sem pedir
É o beijo curto escondido
Mais longo possível
Uma carta manuscrita
Flor de asfalto, pancada
Seria um tropeço
Se tivesse os pés no chão
É saudade, é nostalgia
Do futuro breve
Vontade arrancar
Um vento úmido, fresco
As reticências do poema
O último e o primeiro suspiro
Calor
Leve, de pluma, quente
Respeito pelos detalhes
Inexistentes a olhos nus
Cheia de pós-escritas
É como um bilhete colado
Aquilo que vai sem pedir
É o beijo curto escondido
Mais longo possível
Uma carta manuscrita
Flor de asfalto, pancada
Seria um tropeço
Se tivesse os pés no chão
É saudade, é nostalgia
Do futuro breve
Vontade arrancar
Um vento úmido, fresco
As reticências do poema
O último e o primeiro suspiro
Calor
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Infindável
Sabe, em algum momento você vai se sentir sozinho. Vai ouvir seu telefone tocar algumas vezes, soando como milhares. O velho blues tocando na vitrola ao fundo, alguns papéis espalhados. Vai lembrar com carinho do que fez de bom, de ruim.
Vai sentir que ter a todos é como não ter a ninguém, e que o que fica é aquilo que a gente menos espera, algo que nem deu valor na hora que aconteceu. Vai ver que poderia ter poupado algumas reclamações e liberado mais amor, mais carinho, mais harmonias maiores.
Isso tudo é fórmula, acontece com todo mundo. O difícil é lidar. Tem gente que sorri e cheira pó, tem gente que liga pra mãe, tem gente que fica calada, tem gente que chora. Tem gente que escreve.
Vai sentir que ter a todos é como não ter a ninguém, e que o que fica é aquilo que a gente menos espera, algo que nem deu valor na hora que aconteceu. Vai ver que poderia ter poupado algumas reclamações e liberado mais amor, mais carinho, mais harmonias maiores.
Isso tudo é fórmula, acontece com todo mundo. O difícil é lidar. Tem gente que sorri e cheira pó, tem gente que liga pra mãe, tem gente que fica calada, tem gente que chora. Tem gente que escreve.
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Manuscrito
Escrevo sozinho nessas tardes tediosas, olhando o horizonte, vendo montes imaginários, dragões de fogo.
Pessoas eu não chego a ver, mas imagino suas situações.
Leio sozinho os poemas que invento. Enrolo verso por verso até ver tudo consumado, consumido. Minhas frases soltas com o desejo de te iludir.
Passam por mim e vêem um jovem a musicar suas besteiras, coisas que nem ele é capaz de entender.
Como emissor um violão desafinado que vibra ao cantar cada notinha.
Deveria estudar para ser um médico ou policial, contribuir para o mundo.
Mas é assim: as palavras me consomem para que depois eu as consuma uma a uma.
Pessoas eu não chego a ver, mas imagino suas situações.
Leio sozinho os poemas que invento. Enrolo verso por verso até ver tudo consumado, consumido. Minhas frases soltas com o desejo de te iludir.
Passam por mim e vêem um jovem a musicar suas besteiras, coisas que nem ele é capaz de entender.
Como emissor um violão desafinado que vibra ao cantar cada notinha.
Deveria estudar para ser um médico ou policial, contribuir para o mundo.
Mas é assim: as palavras me consomem para que depois eu as consuma uma a uma.
terça-feira, 21 de julho de 2009
Encarte
Precisa-se de algo!
Como um beijo na boca
Pela manhã
Cortando uma noite
De alimentação de vícios
Como um beijo na boca
Pela manhã
Cortando uma noite
De alimentação de vícios
quarta-feira, 15 de julho de 2009
Um abrigo no peito do meu traidor
Luto pelo início de um novo trabalho a cada dia. Planto fontes no asfalto quente, pra refrescar a mente de quem vê sempre a mesma fumaça subir. O sabor doce nunca começa a amargar na minha boca, antes de qualquer coisa eu renovo o açúcar. Não durmo mais sem dizer o que penso, nem que seja para ouvir meu eco. Invento um acorde, uma desculpa, improviso. Leio os classificados. Rasgo uma poesia por dia, consumo tudo o que tem nela, como se fosse entrar na minha cabeça pra nunca mais sair. Porque papéis amarelam. O que fica para sempre são palavras, sinceras.
domingo, 5 de julho de 2009
Sarney pra se coçar
Abri o jornal em um de meus bons momentos de cultura para ler em uma manchete em caixa alta: "Lula defende Sarney!" e nada mais veio à minha cabeça além da minha infância: lembrando dos tempos de "porradinha" com meu irmão caçula, fui ligando os fatos.
Como dois meninos, bastava que ficássemos sós em casa que começávamos a brincar, e claro, como todos sabem, nunca terminava bem. Acontece que sempre houve uma espécie de profissionalismo da nossa parte. Tudo começava com um "Duvido que você me bata!" e terminava com alguns hematomas, porém apesar de eu ter em mente o pensamento de cobrir ele de socos e pontapés, e ele provavelmente, a valentia de bater no irmão mais velho, bastava que o carro de nossos pais entrasse na rua e os cachorros começassem a latir que nós tínhamos o esquema todo armado: um ia tomar banho enquanto o outro abria o livro, ou ligava a televisão e deitava no quarto, como um complô.
Assim vejo nossos senhores. Um sabe das histórias mais tenebrosas do outro, e medem força com isso, e assim quando a mídia cerca um, o outro trata de defendê-lo, em um ping-pong de credibilidade.
A diferença é que apesar de meus pais saberem que eu e meu irmão brincávamos a tarde inteira e paravámos momentos antes de sua chegada, e do mesmo jeito a população saber de todas as falcatruas políticas, a maior cagada que poderia acontecer com as duas crianças era alguém abrir a cabeça, ou quebrar um ossinho, já no brincalhão congresso brasileiro, sabe Deus...
Como dois meninos, bastava que ficássemos sós em casa que começávamos a brincar, e claro, como todos sabem, nunca terminava bem. Acontece que sempre houve uma espécie de profissionalismo da nossa parte. Tudo começava com um "Duvido que você me bata!" e terminava com alguns hematomas, porém apesar de eu ter em mente o pensamento de cobrir ele de socos e pontapés, e ele provavelmente, a valentia de bater no irmão mais velho, bastava que o carro de nossos pais entrasse na rua e os cachorros começassem a latir que nós tínhamos o esquema todo armado: um ia tomar banho enquanto o outro abria o livro, ou ligava a televisão e deitava no quarto, como um complô.
Assim vejo nossos senhores. Um sabe das histórias mais tenebrosas do outro, e medem força com isso, e assim quando a mídia cerca um, o outro trata de defendê-lo, em um ping-pong de credibilidade.
A diferença é que apesar de meus pais saberem que eu e meu irmão brincávamos a tarde inteira e paravámos momentos antes de sua chegada, e do mesmo jeito a população saber de todas as falcatruas políticas, a maior cagada que poderia acontecer com as duas crianças era alguém abrir a cabeça, ou quebrar um ossinho, já no brincalhão congresso brasileiro, sabe Deus...
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